O jogo da Game Freak antes de Pokémon
O criador de Pokémon fez um jogo antes de Pokémon. Pela Sega. No Mega Drive. Com o mesmo artista dos Pokémon originais e o mesmo compositor. E o herói enfrenta o próprio pai, que enlouqueceu depois de entrar num computador para ficar com a namorada virtual que ele mesmo programou.
Antes de capturar o mundo com Pikachu, a Game Freak criou um menino metade humano, metade inteligência artificial, filho de um cientista que se apaixonou pelo próprio programa de computador. E esse jogo foi publicado pela Sega, no Mega Drive, em 1994.
Pulseman foi lançado em 22 de julho de 1994 no Japão para o Sega Mega Drive. Desenvolvido pela Game Freak e publicado pela Sega, era o sétimo jogo da pequena desenvolvedora. O oitavo seria Pokémon Vermelho e Verde, lançado em 1996. Entre um e outro existe uma ligação muito mais profunda do que a simples ordem cronológica. O design de personagens ficou a cargo de Ken Sugimori, o mesmo artista responsável pelo visual de todos os Pokémon originais. A trilha sonora foi composta por Junichi Masuda, que se tornaria o compositor principal da série Pokémon por décadas. A equipe que fez Pulseman foi, em grande parte, a mesma que fez Pokémon.
A história começa com o Dr. Yoshiyama, um brilhante cientista especializado em inteligência artificial que consegue criar a forma de vida digital mais avançada já concebida, chamada de C-Life. Ao interagir com sua criação, o Dr. Yoshiyama se apaixona por ela. Obcecado, ele digitaliza a própria mente e entra no computador, onde se une à C-Life de forma literal: os dois combinam o DNA humano dele com o código de programa dela. O resultado dessa fusão improvável é Pulseman, um menino que existe simultaneamente no mundo digital e no mundo físico, capaz de atravessar redes, se transformar em energia elétrica e se materializar em qualquer terminal conectado.
O problema: viver dentro de um computador corrompeu a mente do Dr. Yoshiyama. Quando ele retorna ao mundo físico, já não é mais o mesmo. Renomeado como Doc Waruyama, o pai de Pulseman funda o Team Galaxy, uma organização de ciberterrorismo dedicada a destruir as redes digitais do planeta. Pulseman precisa enfrentar o próprio pai. O confronto final é entre um filho digital e o homem que o criou sem saber as consequências.
Nos Estados Unidos, Pulseman nunca recebeu um lançamento físico. A única forma de jogá-lo em território norte-americano era através do Sega Channel, um serviço de streaming de jogos via cabo lançado pela Sega em 1994, um dos primeiros serviços do tipo no mundo. Quem não tinha assinatura do Sega Channel simplesmente nunca jogou. O cartucho físico existe apenas na versão japonesa, e hoje é um item de coleção.
Pulseman é uma dessas peças invisíveis da história dos videogames: um jogo que não fez sucesso comercial, não ganhou sequência e ficou restrito a um único mercado, mas que carrega o DNA de um dos maiores fenômenos culturais do século XX. Cada traço do Ken Sugimori, cada nota do Junichi Masuda e cada mecânica elétrica do Pulseman encontrou seu caminho para dentro de Pokémon.
Se você tem Nintendo Switch Online com o pacote de expansão, ele está disponível agora mesmo no catálogo de Mega Drive. Vale muito a experiência de jogar o projeto que antecedeu Pikachu.
► Qual outra conexão escondida entre jogos antigos e franquias modernas você conhece? ♪