O CONSOLE DE US$ 970 QUE QUASE NINGUÉM VIU

E se alguém te dissesse que existiu um console que era Mega Drive, Sega CD, PC Engine, LaserDisc player e karaokê ao mesmo tempo, e que quase ninguém comprou? Ele existiu e custava o preço de um carro usado.

► LASERACTIVE · ESPECIAL RETRÔ
Pioneer LaserActive: o console modular mais caro e mais estranho dos anos 90
JULHO 2026

Imagine um aparelho que toca filmes em LaserDisc, roda cartuchos de Mega Drive, discos de Sega CD, HuCards e CD ROM2 de PC Engine, tem módulo de karaokê profissional e ainda ganhou óculos 3D antes do Virtual Boy existir. Esse aparelho existiu, chamava Pioneer LaserActive e custava US$ 970 só na base.

O LaserActive CLD A100 chegou ao Japão em 20 de agosto de 1993 por 89.800 ienes e aos Estados Unidos em 13 de setembro do mesmo ano por US$ 970, o equivalente a mais de US$ 2.100 em valores atuais. A proposta da Pioneer era ambiciosa: um único aparelho de sala para filmes, música e videogames, numa época em que o LaserDisc era o auge do home video para entusiastas.

O detalhe curioso é que, sozinho, o LaserActive não rodava jogo nenhum. Ele era apenas um player de LaserDisc e CD. Para jogar, você precisava comprar os módulos de expansão chamados PACs, vendidos separadamente. O Sega PAC custava US$ 600 e transformava o aparelho num Mega Drive completo com Sega CD, além de rodar os discos exclusivos no formato Mega LD. O NEC PAC, também de US$ 600, fazia o mesmo com o PC Engine, aceitando HuCards, CD ROM2 e os discos LD ROM2. Quem quisesse o pacote completo com o módulo de karaokê de US$ 350 gastava cerca de US$ 2.550 em 1993.

Os jogos em LaserDisc eram o grande diferencial. Um disco de LaserDisc guardava vídeo analógico de qualidade muito superior ao que qualquer console da época conseguia exibir, e os jogos exclusivos usavam isso para criar experiências de full motion video com sprites do Mega Drive ou do PC Engine sobrepostos ao filme. Pyramid Patrol, o jogo que acompanhava o Sega PAC, colocava o jogador numa nave explorando uma pirâmide marciana construída pela civilização perdida de Mu, com cenários inteiros em vídeo rodando por trás da mira.

Pioneer LaserActive
Fabricante
Pioneer
Lançamento
Agosto 1993 (JP) · Setembro 1993 (EUA)
Preço da base
US$ 970
Módulos PAC
US$ 600 cada (Sega e NEC)
Unidades vendidas
Cerca de 10 mil
Descontinuado
1996

A biblioteca exclusiva ficou em cerca de 31 títulos, a maioria no formato Mega LD. Entre eles havia raridades absolutas como Vajra, Ghost Rush e experiências que só faziam sentido em LaserDisc, como Virtual Cameraman e o passeio turístico 3D Virtual Australia, que em 1996 se tornou o último lançamento oficial da plataforma. A Pioneer ainda lançou os óculos 3D Goggles GOL 1, com sistema de shutter ativo compatível com seis jogos, anos antes de a Nintendo tentar algo parecido com o Virtual Boy.

O fim era previsível. Com PlayStation e Saturn chegando em 1994 com gráficos 3D reais e preços muito menores, um aparelho de quase mil dólares que dependia de módulos de US$ 600 não tinha para onde correr. A Pioneer descontinuou o LaserActive em 1996 com cerca de 10 mil unidades vendidas. Hoje, um sistema completo com os PACs e os jogos raros alcança valores altíssimos em leilões, e discos Mega LD lacrados estão entre os itens mais cobiçados do colecionismo Sega.

Dois consoles em um: com os dois PACs instalados ao longo da vida útil, o LaserActive era o único aparelho do mundo capaz de rodar bibliotecas completas de Mega Drive, Sega CD, PC Engine e CD ROM2, além dos exclusivos em LaserDisc.
O PAC fantasma: o Computer Interface PAC PC1, lançado apenas no Japão, conectava o LaserActive a computadores Mac, PC DOS e NEC PC98 pela porta serial. É hoje o módulo mais raro e difícil de encontrar de toda a linha.
3D antes do Virtual Boy: os óculos GOL 1 usavam lentes de shutter ativo e funcionavam com seis títulos, incluindo 3D Museum e Vajra 2. A Nintendo só lançaria o Virtual Boy em 1995.
Preço de carro usado: base, Sega PAC, NEC PAC e Karaoke PAC somavam cerca de US$ 2.550 em 1993, algo próximo de US$ 5.600 em valores atuais. Era o setup de videogame mais caro do planeta.
Pack in raro: Pyramid Patrol, da Taito, acompanhava o Sega PAC e usava a civilização perdida de Mu como cenário, com fases inteiras em vídeo analógico de LaserDisc.
Raridade extrema: com apenas cerca de 10 mil unidades vendidas no mundo e uns 31 jogos exclusivos, o LaserActive é hoje uma das plataformas licenciadas por Sega e NEC mais raras que existem. Um conjunto completo pode custar mais que um carro popular usado.

O LaserActive foi a aposta mais extravagante da era 16 bits: a ideia de um centro de entretenimento modular estava certa, mas o preço e o timing estavam brutalmente errados. Ele resume um momento único em que Sega e NEC toparam colocar seus consoles dentro do aparelho de um terceiro fabricante, algo impensável hoje.

Se você nunca tinha ouvido falar desse gigante da Pioneer, bem vindo ao clube: quase ninguém viu um de perto. E é exatamente por isso que ele merece ser lembrado.

► Você sabia que existiu um console que rodava Mega Drive e PC Engine na mesma máquina?
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JV
Equipe Jogo Velho
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