O CONSOLE QUE IMPRIMIA ADESIVOS
Casio Loopy: o console japonês de 32 bits que imprimia adesivos e ficou conhecido como o único videogame feito para meninas.
Outubro de 1995. Enquanto o mundo discutia PlayStation contra Saturn, a Casio colocava nas lojas japonesas o Loopy, um console de 32 bits cuja arma secreta não era gráfico 3D e sim uma impressora térmica colorida embutida no gabinete. O subtítulo oficial dizia tudo: My Seal Computer SV-100, o computador de adesivos.
A ideia era simples e ao mesmo tempo maluca: qualquer tela de jogo podia virar um adesivo. Apertou o botão, a impressora térmica cuspia um seal colorido pronto para colar no caderno, na agenda ou no estojo. A Casio, que já dominava o mercado de calculadoras e relógios, apostou que essa mecânica física seria o diferencial contra os gigantes Sony, Sega e Nintendo.
O marketing posicionou o Loopy como o primeiro e único console da história criado exclusivamente para o público feminino. Mas aqui mora o plot twist: em entrevista à Eurogamer, os engenheiros Tetsuya Hayashi e Kunihiro Matsubara revelaram que o projeto original não tinha nada a ver com meninas. O objetivo era criar uma experiência única com adesivos. Como as garotas japonesas eram loucas por seals nos anos 90, o público alvo veio depois, na hora de montar o catálogo de lançamento.
Por dentro, a máquina não era brinquedo. O Loopy rodava um processador Hitachi SH7021 SuperH de 32 bits a 16MHz, a mesma família de chips que equipava o Sega Saturn e o 32X, com 1MB de RAM, gráficos de 512 cores e áudio PCM de 12 bits em 4 canais. Tudo isso por 25 mil ienes, preço competitivo para a época.
O catálogo inteiro cabia em uma prateleira: apenas 11 títulos em toda a vida do console, entre eles Wanwan Aijou Monogatari, simulador de vida com cachorros da Alfa System, Dream Change, jogo de moda da Kokin-chan, Little Romance, software para criar quadrinhos, e HARIHARI Seal Paradise. Todos giravam em torno de pintura, moda, romance e, claro, imprimir adesivos.
O acessório mais impressionante era o Magical Shop, um periférico de captura de vídeo que conectava o Loopy ao videocassete. Dava para congelar qualquer cena de filme ou anime, escrever texto por cima e imprimir como adesivo. Em 1995, isso era tecnologia de outro planeta dentro de um videogame. A Casio encerrou o desenvolvimento de novos jogos em novembro de 1996, pouco mais de um ano após o lançamento, e a produção do hardware parou de vez no fim de 1998.
O Casio Loopy é aquele tipo de história que o retrogaming adora: uma gigante da eletrônica entrando na guerra dos consoles com uma ideia que ninguém pediu e que por isso mesmo virou lenda. Enquanto Sony e Sega brigavam por polígonos, a Casio apostava em papel térmico e criatividade.
Hoje o console é peça de museu e objeto de desejo de colecionadores, com o Magical Shop alcançando valores altos em leilões japoneses. Uma prova de que os fracassos comerciais mais estranhos costumam envelhecer melhor que muitos sucessos.
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