► JOGO VELHO · ESPECIAL · TOEJAM & EARL

FUNKOTRON NA TERRA
A história dos alienígenas mais funky dos videogames

De uma praia no Havaí à lenda do Mega Drive. ToeJam & Earl é um dos jogos mais originais já criados, e esse especial conta tudo: a origem, a música, os humanos malucos, as continuações polêmicas e o retorno triunfal. Um favorito pessoal de todos os tempos.

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Era 1991. O Mega Drive brigava de igual para igual com o Super Nintendo, e o mundo dos games era dominado por plataformers rápidos, beat’em ups violentos e corridas de adrenalina. E então apareceu um jogo sobre dois aliens rappers que caíram no planeta errado, precisavam catar pedaços de uma nave e tentavam, desesperadamente, escapar dos humanos mais bizarros do universo. Não havia chefes. Não havia pressa. Só funk, presentes misteriosos e um senso de humor que nunca mais foi replicado. ToeJam & Earl não era um jogo: era um estado de espírito.

ToeJam — arte oficial do jogo original Earl — arte oficial do jogo original
ToeJam e Earl, os protagonistas. Imagens: ToeJam & Earl Wiki (Fandom) · Licença CC BY-SA

Greg Johnson estava numa praia no Havaí quando a ideia surgiu. Ele havia trabalhado no clássico de sci-fi Starflight para a Electronic Arts, e queria criar algo que combinasse a atmosfera espacial daquele jogo com a mecânica aleatória de Rogue, o lendário dungeon crawler de 1980 que gerava fases de forma procedural. Mas Johnson queria algo mais leve, mais engraçado, mais funk. O resultado foi uma premissa absurda e genial: dois aliens adolescentes rappers, vindos do planeta Funkotron, caem na Terra depois que um deles resolve dirigir a nave sem permissão.

Johnson conheceu o programador Mark Voorsanger por acaso, enquanto caminhava no Mount Tam, na Califórnia, em 1989. Os dois se associaram, formaram a Johnson Voorsanger Productions e foram bater à porta da Sega of America, que na época era uma empresa pequeníssima, de uns 20 funcionários. Johnson apresentou o conceito usando cartões desenhados à mão, mostrando as ilhas flutuantes geradas aleatoriamente. O executivo Hugh Bowen ficou imediatamente interessado: a Sega queria mascotes novos para competir com a Nintendo, e esses aliens malucos pareciam perfeitos.

“Era um negócio de garagem. Eu e Mark, mais alguns amigos. Mas a gente sabia que tinha algo especial ali.” Greg Johnson, criador de ToeJam & Earl

O jogo foi desenvolvido em pouco mais de um ano por uma equipe minúscula. Johnson cuidou da direção criativa e até das vozes dos personagens. A arte, a narrativa e o humor saíram diretamente da sua cabeça. ToeJam e Earl, segundo o próprio Johnson, eram dois aspectos diferentes da sua própria personalidade. Voorsanger, por sua vez, realizou o que a própria Sega dizia ser impossível: implementou um sistema de split-screen dinâmico para o modo dois jogadores, onde a tela se dividia e se reunia conforme os personagens se afastavam ou se aproximavam. Tecnicamente impressionante para o hardware do Mega Drive.

A lenda dos nomes: Greg Johnson chegou a afirmar que os personagens se chamavam originalmente “FlowJam” e “Whirl”, e que o programador teria escutado errado e digitado “ToeJam” e “Earl”. Anos depois, o próprio Johnson admitiu numa stream da Twitch que inventou essa história. Verdade ou mentira, ficou para a lenda.
Tela de título de ToeJam & Earl (1991, Mega Drive)
Tela de título original (Mega Drive, 1991). Imagem: ToeJam & Earl Wiki (Fandom) · Licença CC BY-SA

ToeJam & Earl foi lançado em 15 de outubro de 1991 para o Mega Drive/Genesis. A premissa é simples: ToeJam e Earl precisam coletar 10 pedaços de sua nave espalhados por 25 ilhas flutuantes geradas aleatoriamente. Para chegar à próxima ilha, é preciso encontrar o elevador. Se você cair da borda, vai parar no nível anterior. Se cair muitas vezes, de volta ao começo.

A perspectiva é isométrica, em 3/4, e o ritmo é deliberadamente lento. Isso era proposital. Johnson queria um jogo contemplativo, de exploração, onde a descoberta fosse a recompensa. O principal recurso dos personagens são os presentes embrulhados: itens misteriosos que você não sabe o que são até abrir. Uma vez identificado o tipo de embrulho, você passa a saber o que esperar ao encontrar um igual. Podem ser itens ótimos ou armadilhas, e a tensão de abrir um presente desconhecido nunca perde a graça.

ToeJam é vermelho, tem três pernas e é um pouco mais rápido. Earl é amarelo, grandão, usa shorts de bolinhas e tem mais resistência. No modo de dois jogadores, cada um assume um personagem, e a tela se divide quando eles se afastam demais. Isso criava momentos memoráveis: um jogador tentando escapar do Boogeyman enquanto o outro ri do lado de fora da tela.

Gameplay: Mega Drive Longplay [163] ToeJam & Earl · Jogado por JagOfTroy · Canal World of Longplays (longplays.org) · Ver no YouTube

Roguelike avant la lettre: ToeJam & Earl é frequentemente citado como um dos primeiros exemplos do gênero roguelike em consoles domésticos, bem antes de o termo se popularizar. A influência direta era o jogo Rogue (1980), com seus níveis gerados proceduralmente e itens não identificados. Cada partida é única.

Se há um elemento que define ToeJam & Earl tanto quanto sua jogabilidade, é a trilha sonora. O compositor John Baker foi inspirado por Herbie Hancock e The Headhunters para criar algo que soasse completamente diferente de tudo que existia em consoles em 1991. O resultado é uma mistura de jazz-funk e hip-hop instrumental que usa o chip de som do Mega Drive de formas que poucos compositores conseguiram replicar.

O processo criativo era inusitado: Greg Johnson cantarolava as linhas de baixo e as melodias num gravador de cassete, caminhando por colinas no Nevada para não ser ouvido por ninguém. Depois entregava as fitas para Baker, que transformava em músicas completas em MIDI. Eram apenas 6 faixas no jogo original, mas cada uma delas é tão marcante que décadas depois bandas como The OneUps ainda regravaram o material.

#01
Big Earl Bump
Tema principal / Mega Drive, 1991
O groove icônico que toca nos menus e na abertura. Linha de baixo pesada, percussão sincopada e uma atitude que resume tudo que o jogo representa. Impossível não mexer o pescoço.
#02
Funkotronic Beat
Faixa de gameplay / Mega Drive, 1991
A música que toca enquanto você explora as ilhas. Groove repetitivo no melhor sentido, hipnótico, criado especificamente para não cansar durante longas sessões de exploração.
#03
ToeJam Slowjam
Faixa de gameplay / Mega Drive, 1991
A mais suave das faixas, quase melancólica, que captura a sensação de dois aliens perdidos tentando achar o caminho de volta para casa. Funk com alma.
#04
Rapmaster Rocket Racket
Faixa de gameplay / Mega Drive, 1991
Mais agitada e percussiva, entra em ação nos momentos de tensão. Um dos melhores exemplos do uso criativo do chip YM2612 do Mega Drive para simular bateria ao vivo.
#05
Elevator Beats
Jingle de elevador / Mega Drive, 1991
Apenas 47 segundos, mas memoráveis demais. A musiquinha que toca enquanto você sobe para o próximo nível. Humor perfeito: um jingle de elevador num jogo de aliens espaciais.
#06
Modo JAM
Modo especial / Mega Drive, 1991
Uma das curiosidades mais deliciosas: o jogo tinha um modo onde você podia criar suas próprias batidas usando o D-pad e os botões. Precursor de qualquer sequenciador musical em games.

► Trilha sonora completa do original (Mega Drive):

[SEGA Genesis Music] ToeJam & Earl — Full Original Soundtrack OST · Compositor: John Baker · Gravado em hardware NTSC Genesis Model 1 VA3 original · Ver no YouTube

O grande charme narrativo de ToeJam & Earl é sua visão dos humanos através dos olhos alienígenas: criaturas caóticas, agressivas, obcecadas com posses que não precisam e completamente desprovidas de qualquer senso de funk. O manual do jogo descreve os Earthlings como “os habitantes mais imprevisíveis do setor”, e o jogo não economiza no absurdo. Cada encontro é uma piada sobre a condição humana.

Boogeyman

Boogeyman

Mailbox Monster

Mailbox Monster

Phantom Ice Cream Truck

Phantom Ice Cream Truck

Santa com Jetpack

Santa com Jetpack

Nerd Herd

Nerd Herd

Cupido

Cupido

Lil' Devil

Lil’ Devil

Arte oficial dos Earthlings. Imagens: ToeJam & Earl Wiki (Fandom) · Licença CC BY-SA
01
O Boogeyman
Nível de ameaça: EXTREMO
O inimigo mais temido. Fica invisível quando parado, e quando se move é só uma sombra. Aparece do nada gritando “Boogie Boogie Boogie!” e acorda aquela criança interior apavorada. Presente em todos os jogos da série.
02
Nerd Herd
Nível de ameaça: MÉDIO
Nerds que andam em manadas. Individualmente inofensivos; em grupo, um pesadelo. Uma das metáforas mais precisas já colocadas num videogame. No remake, aparecem como adultos convertidos que passaram a trabalhar como personagens aliados.
03
Phantom Ice Cream Truck
Nível de ameaça: ALTO
Um caminhão de sorvete fantasma que persegue os personagens. Sem lógica aparente, sem explicação. Simplesmente existe e é aterrorizante. Provavelmente a criação mais surrealista da série.
04
Crazed Shopper
Nível de ameaça: MÉDIO
Uma senhora furiosa empurrando um carrinho de supermercado com uma criança dentro. Grita “SHUT UP!!” periodicamente para a criança. Retorna em Mission to Earth. Uma piada social com timing perfeito.
05
Mailbox Monster
Nível de ameaça: ALTO
Uma caixa de correio possuída com braços e pernas. Indestrutível. E o detalhe cruel: ela é idêntica às caixas de correio normais onde você compra itens, até abrir o olho. RUN.
06
Cupido
Nível de ameaça: IRRITANTE
As flechas do amor invertem os controles do jogador. Uma punição com humor refinado: o perigo do amor é perder o controle de si mesmo. Só pode ser derrotado caindo por cima dele.
07
Wahini Girls
Nível de ameaça: BAIXO/MÉDIO
Garotas havaianas que enfeitiçam ToeJam e Earl com requebros de quadril, paralisando temporariamente os personagens. Pura comédia visual e sonora.
08
Insane Dentist
Nível de ameaça: ALTO
Um dentista louco que dá passos gigantescos e causa dano enorme. A antítese do profissional de saúde. Transforma a visita odontológica em pesadelo espacial.
09
Giant Hamster
Nível de ameaça: MÉDIO
Um hamster gigante numa bolinha rolante. Pode esmagar os personagens. Deliciosamente absurdo, uma das referências ao humor nonsense que permeia toda a série.
10
Shark
Nível de ameaça: ALTO
Tubarões que perseguem os personagens na água ao som do tema de Tubarão (Jaws). Uma referência pop perfeita que usa o estoque de samples do chip do Genesis com maestria.
11
Santão com Jetpack
Personagem ALIADO
Sim, o Papai Noel está na Terra. Ele deixa cair presentes se você se aproximar por trás sem ser visto. Se ele notar você, liga o jetpack e vai embora. Uma das missões mais satisfatórias do jogo.
12
Homem da Cenoura
Personagem ALIADO
Um homem num traje de cenoura que identifica o conteúdo de presentes por 2 dólares. Um dos personagens mais úteis e adoráveis da série. Sua presença nunca é explicada. Não precisa ser.

O lançamento em outubro de 1991 foi, nas palavras da Sega, um fracasso comercial. As vendas iniciais eram baixas, e a empresa considerou o projeto decepcionante em termos de números. Mas algo curioso aconteceu: o jogo começou a se espalhar boca a boca. Quem jogava, falava para os amigos. Quem via alguém jogar, precisava experimentar. No Natal de 1991, o Genesis viveu um boom de vendas graças ao Sonic the Hedgehog, e ToeJam & Earl surfou essa onda.

No final, ToeJam & Earl vendeu aproximadamente 350.000 cópias, número considerado notável para um título tão não-convencional numa plataforma ainda jovem. A crítica especializada foi unanimemente entusiasmada: a Entertainment Weekly o elegeu o 9º melhor jogo de 1991 e depois o colocou na posição 26 de seu ranking dos melhores jogos de todos os tempos. A Sega Visions disse ser “o jogo mais esdrúxulo que já apareceu no Genesis”. O jogo se tornou um sucesso cult e um dos títulos exclusivos mais importantes do Mega Drive.

Mascotes da Sega: ToeJam e Earl foram adotados como mascotes secundários da Sega, ao lado de Sonic, e protagonizaram um mini-game de tiro chamado Ready, Aim, Tomatoes!, incluído no cartucho do periférico Menacer. A dupla era parte da identidade da empresa no início dos anos 1990.

Com o sucesso cult do original, uma continuação era inevitável. E é aqui que a história de ToeJam & Earl se torna tão fascinante quanto complicada. Cada novo jogo tomou decisões radicalmente diferentes, num ciclo de experimentos, interferências de publisher e oportunidades perdidas.

Tela de título de ToeJam & Earl in Panic on Funkotron (1993)
Tela de título de Panic on Funkotron (Mega Drive, 1993). Imagem: ToeJam & Earl Wiki (Fandom) · Licença CC BY-SA

Johnson e Voorsanger queriam fazer uma sequência fiel ao original: mais Earthlings, mais terrenos, mais ilhas, e a possibilidade de entrar em ambientes fechados. A Sega não se impressionou. A empresa achava o conceito difícil de vender e pressionou para que o jogo se tornasse um platformer 2D no estilo mais convencional, semelhante ao que Sonic representava. A dupla cedeu.

ToeJam & Earl in Panic on Funkotron lançado em 1993 conta a história: ToeJam e Earl voltam ao planeta Funkotron como heróis, mas descobrem que alguns Earthlings entraram clandestinamente na nave e estão causando caos no planeta funky. A missão agora é capturá-los em potes especiais e mandá-los de volta. O jogo é um platformer side-scrolling, visualmente deslumbrante, com sprites enormes e animações ricas, e com uma trilha sonora ainda mais elaborada de John Baker. Mas não era o que os fãs do original queriam.

A recepção da crítica foi positiva: a Mean Machines disse que era “uma sequência que supera o original” e a EGM celebrou a experiência. Mas a comunidade de fãs do primeiro jogo ficou dividida. Uma pesquisa posterior da IGN mostrou que a maioria ainda preferia o original, embora 28% dos respondentes considerassem Panic on Funkotron o melhor da série. O próprio Johnson disse depois que se arrepende da decisão. O vice-presidente de desenvolvimento da Sega chegou a admitir o mesmo anos depois.

► Gameplay de Panic on Funkotron:

Mega Drive Longplay [424] ToeJam & Earl in Panic on Funkotron · Jogado por Mad-Matt · Canal World of Longplays (longplays.org) · Ver no YouTube

Diferenças principais em relação ao original: perspectiva side-scrolling 2D em vez de isométrica; jogabilidade de plataforma em vez de exploração roguelike; Earthlings capturados em potes em vez de combate com tomates; fase no planeta Funkotron em vez da Terra; sem geração procedural de fases; sprites muito maiores. É praticamente um jogo diferente com os mesmos personagens.
Tela de ToeJam & Earl III: Mission to Earth (Xbox, 2002)
ToeJam & Earl III: Mission to Earth (Xbox, 2002). Imagem: ToeJam & Earl Wiki (Fandom) · Licença CC BY-SA

A história do terceiro jogo é um épico de oportunidades perdidas. Após desentendimentos com a Sega (a empresa deteve os direitos dos personagens até 1995), Johnson e Voorsanger tentaram emplacar uma sequência no Nintendo 64 com a GT Interactive. O acordo caiu. Tentaram no PlayStation 2. Não deu. Então surgiu a oportunidade com o Dreamcast da Sega, que parecia perfeita. O prototype chegou a ser desenvolvido e era mais próximo do espírito do primeiro jogo, em 3D. E o Dreamcast morreu.

O jogo acabou indo para o Xbox, em 2002, como um acordo de conveniência com a Microsoft. ToeJam & Earl III: Mission to Earth trouxe os personagens em 3D, com uma nova protagonista chamada Latisha, e a missão de recuperar os “Doze Álbuns Sagrados do Funk” das mãos do vilão Anti-Funk. A Lisa “Left Eye” Lopes do TLC quase emprestou a voz para Latisha, mas desentendimentos financeiros impediram o acordo.

A recepção foi morna. Críticos reconheceram o charme e o humor, mas o jogo foi acusado de ser genérico e de não capturar a magia dos originais. A GameSpot o elegeu o “game mais decepcionante do Xbox” em 2002. Foi um fracasso comercial. O prototype do Dreamcast, descoberto em 2013 e liberado para download em 2018, revelou que aquela versão cancelada era muito mais fiel à essência da série.

► Gameplay de Mission to Earth (Xbox):

Xbox Longplay [049] ToeJam & Earl III: Mission to Earth (EU) · Jogado por RickyC · Canal World of Longplays (longplays.org) · Ver no YouTube

Diferenças principais em relação ao original: totalmente em 3D; terceiro personagem jogável (Latisha); missões estruturadas com objetivos específicos; Hub World conectando as fases; DLC via Xbox Live; trilha sonora sem o compositor original John Baker; sem geração procedural. Mais próximo de um platformer 3D convencional.
ToeJam & Earl: Back in the Groove (2019)
ToeJam & Earl: Back in the Groove (2019). Imagem: ToeJam & Earl Wiki (Fandom) · Licença CC BY-SA

Depois do fracasso de Mission to Earth, ToeJam e Earl desapareceram por 17 anos. Greg Johnson fundou a HumaNature Studios e trabalhou em outros projetos. Mas a saudade dos fãs nunca foi embora. Em 2015, Johnson anunciou uma campanha no Kickstarter: queria fazer o jogo que a Sega nunca deixou ele fazer em 1992. Sem publisher. Sem interferência. O jogo do jeito que devia ter sido.

A campanha tinha uma meta de 400.000 dólares e foi financiada em 25 de março de 2015, dois dias antes do prazo. Encerrou com mais de 500.000 dólares arrecadados. O jogo levou mais tempo do que o esperado e teve cinco adiamentos entre 2016 e 2019, mas em 1 de março de 2019, ToeJam & Earl: Back in the Groove chegou para PC, Nintendo Switch, PlayStation 4 e Xbox One.

E quem apareceu para ajudar na divulgação? Macaulay Culkin. O ator de Esqueceram de Mim é um fã declarado da série desde a infância e chegou a interromper o Oscar para tuitar sobre ToeJam & Earl. Quando soube que o jogo estava em desenvolvimento, procurou Greg Johnson e acabou sendo creditado como produtor executivo. Ele até revelou para Johnson alguns glitches que ele e seus amigos tinham descoberto no jogo original, incluindo um truque para ter rocket skates infinitos.

“Fiquei tão animado quando consegui o cartucho autografado. Foi quase como encontrar um oráculo.” Macaulay Culkin, sobre conhecer Greg Johnson

Back in the Groove é essencialmente um remake melhorado do original: mesma perspectiva isométrica, mesma exploração de ilhas flutuantes geradas proceduralmente, mesmos presentes misteriosos. Mas com até 4 jogadores simultâneos (local ou online), 9 personagens jogáveis incluindo versões clássicas dos protagonistas, Latisha e Lewanda, e uma arte visual mais próxima de cartoons dos anos 90. A trilha sonora foi rearanjada por Cody Wright e Nick Stubblefield a partir dos temas originais, e chegou a ser lançada em três discos de vinil.

► Gameplay de Back in the Groove (2019):

ToeJam & Earl: Back in the Groove — Launch Trailer · Canal oficial HumaNature Studios · Lançamento: 1 de março de 2019 · Ver no YouTube

Diferenças principais em relação ao original: até 4 jogadores simultâneos; arte redesenhada no estilo cartoon; 9 personagens jogáveis; modo online além do local; novo conteúdo de Earthlings incluindo personagens dos Kickstarter backers; mini-game “Jam Out” integrado; mais ilhas e variações de terreno; sem envolvimento da Sega.
I
ToeJam & Earl
1991 · Mega Drive/Genesis
Plataformas: Mega Drive. Relançado em Wii Virtual Console (2006), PSN/XBLA (2012) e Nintendo Switch Online (2021). Gênero: Roguelike / exploração isométrica. Jogadores: 1-2. Vendas: ~350.000 cópias. Recepção: Aclamado pela crítica, sleeper hit cult.
II
Panic on Funkotron
1993 · Mega Drive/Genesis
Plataformas: Mega Drive. Relançado em Wii Virtual Console (2007) e PC (2012). Gênero: Platformer side-scrolling 2D. Jogadores: 1-2. Recepção: Positiva pela crítica, dividida pelos fãs do original. Considerado visualmente o melhor do Mega Drive.
III
Mission to Earth
2002 · Xbox
Plataformas: Xbox exclusivo. Gênero: Platformer 3D / ação. Jogadores: 1-2. Recepção: Mista. Considerado o “jogo mais decepcionante do Xbox” pela GameSpot. Fracasso comercial. Prototype para Dreamcast disponível para download desde 2018.
IV
Back in the Groove
2019 · Multi
Plataformas: PC, Nintendo Switch, PS4, Xbox One. Edição física via Limited Run Games. Gênero: Roguelike isométrico (fiel ao original). Jogadores: 1-4. Kickstarter: Mais de $500.000 arrecadados. Recepção: Geralmente favorável; celebrado pelos fãs.
O Modo Jam Secreto
Curiosidade / Jogo Original
Antes de sair pelo mundo, você pode entrar no “Jam Mode” e criar suas próprias batidas usando o controle. Era um sequenciador musical rudimentar num jogo de Mega Drive em 1991. Décadas antes dos jogos de música modernos.
O Prototype do Dreamcast
Curiosidade / Mission to Earth
Em 2013, um membro do fórum Assembler encontrou um prototype de ToeJam & Earl III para Dreamcast num development kit. O jogo era mais fiel ao espírito do original. Após aprovação de Greg Johnson, foi liberado para download público em 2018. O que poderia ter sido.
O Anti-Funk do KKK
Curiosidade / Mission to Earth
Builds promocionais de Mission to Earth mostravam o vilão Anti-Funk com uma aparência que lembrava capuzes do Ku Klux Klan, intencionalmente como declaração antirracismo de Greg Johnson. A Sega vetou e o personagem foi alterado para um crânio na versão final.
A Fita Cassete do Greg
Curiosidade / Trilha Sonora
Johnson compôs as músicas cantarolando num gravador de cassete durante caminhadas solitárias nas colinas de Nevada, para não ser ouvido por ninguém. O compositor John Baker recebia as fitas e transformava em MIDI. Método inusitado para criar um dos melhores soundtracks do Genesis.
O Split-Screen Impossível
Curiosidade / Técnica
A Sega disse à equipe que um split-screen dinâmico era tecnicamente impossível no hardware do Mega Drive. Mark Voorsanger simplesmente foi lá e fez. Uma das façanhas técnicas mais impressionantes da plataforma.
Regular Show e a Herança
Curiosidade / Cultura Pop
J.G. Quintel, criador da série animada Regular Show da Cartoon Network, revelou que ToeJam & Earl foi uma influência direta para criar Mordecai e Rigby: “Era a plataforma perfeita” para o tipo de dinâmica de dupla que ele queria explorar.
O Filme em Desenvolvimento
Curiosidade / 2022
Em dezembro de 2022, a Amazon MGM Studios anunciou um filme de ToeJam & Earl sendo produzido com o jogador de basquete Stephen Curry como produtor. Greg Johnson e Mark Voorsanger são produtores executivos. Roteiro de Amos Vernon e Nunzio Randazzo.
O Adiamento em 5 Atos
Curiosidade / Back in the Groove
Back in the Groove foi adiado exatamente 5 vezes, com previsão original de lançamento em 2016. O desenvolvimento independente, sem publisher, trouxe liberdade criativa mas também desafios logísticos imensos. A espera valeu.
Créditos de imagens: As artes oficiais dos personagens e telas de título utilizadas neste especial são provenientes da ToeJam & Earl Wiki (Fandom), licenciadas sob Creative Commons CC BY-SA. ToeJam & Earl © Johnson Voorsanger Productions / Sega / HumaNature Studios. Uso editorial sem fins comerciais.

Existe uma razão pela qual ToeJam & Earl nunca desapareceu de verdade, mesmo quando ficou 17 anos sem um novo jogo. Ele representa algo que raramente aparece nos videogames: uma visão de mundo genuinamente original, filtrada por humor, música e afeto. Não é um jogo sobre vencer. É sobre explorar, descobrir, e cair de vez em quando porque você abriu um presente que mandou você para o nível de baixo. É sobre dois amigos tentando ir para casa. É sobre funk.

Para mim, esse é um dos meus jogos favoritos de todos os tempos, e revisitar essa história é lembrar por que os games dos anos 90 tinham uma alma inimitável. O Mega Drive era uma plataforma onde um desenvolvedor podia chegar com um conceito maluco, uma fita cassete cheia de basslines cantaroladas e um algoritmo de geração procedural, e criar algo que as pessoas ainda falam 35 anos depois. Isso não tem preço. Isso é funk.

► Qual é o seu Earthling favorito? Sempre odiei o Boogeyman, mas o Mailbox Monster tem um nível de maldade especial. Conta nos comentários!
► E você: prefere o original, Panic on Funkotron, ou adorou o Back in the Groove? A guerra dos fãs continua. ♪
JV
Equipe Jogo Velho
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